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Édia Psicóloga
Saúde MentalPandemia

Pandemia — Covid-19: Uma Visão Psicológica

Dra. Édia Torres3 min de leitura
Pandemia — Covid-19: Uma Visão Psicológica

POR QUÊ ALGUMAS PESSOAS NEGAM A PANDEMIA?

Enquanto boa parte da população sente medo e angústia diante da presença de um vírus desconhecido, outros não dão importância alguma à situação.

Por quê? poderíamos dizer que são apenas pessoas irresponsáveis. Ou que desejam morrer, ou ainda que não acreditam na realidade dos fatos. Analisando a partir do ponto de vista psicológico, esse tipo de atitude desperta um grande interesse. O que explica esse fenômeno de negação da pandemia?

Existe a teoria que diz que o ser humano é capaz de atribuir pensamentos e intenções a outras pessoas. Para melhor entendimento a pessoa prediz o que os outros pensam, como vão reagir em determinadas circunstâncias. Dentro desse panorama, há uma particularidade que por vezes acontece: O erro fundamental da mente.

Esse erro acontece quando pensamos que os outros estão agindo de modo equivocado ou exagerado. Algumas vezes, nossos cérebros falham na hora de aplicar o instinto mais importante do ser humano, o de sobrevivência. Não somos capazes de deduzir a realidade.

Trazendo para o momento atual, todos estamos seguindo as orientações para evitar o covid-19, porque há um grande predador que poderá nos contaminar. Para a pessoa que possui o erro de atribuição é como se todas as pessoas que fazem o isolamento social têm tendência de superestimar a influência de fatores pessoais ou disposicionais e subestimar a influência de fatores situacionais ao avaliar o comportamento da outra pessoa e do contexto.

Ou seja, ao observar o comportamento, é mais provável que a pessoa assuma que o comportamento da outra pessoa é causado principalmente por ela e não pela situação.

São muitas as pessoas que assumem o coronavírus como uma simples gripe ou acreditam que não sofrerão nenhum efeito adverso caso sejam infectadas. Minimizam e eliminam a relevância do perigo de infectar outras pessoas, de sofrer uma doença que se agrave ou de serem responsáveis pela perda de vidas humanas.

Despersonalização como explicação para a negação da pandemia

A negação da pandemia também pode ser explicada por uma dimensão curiosa mas muito presente no ser humano: estamos falando do efeito da irrealidade. Os sintomas

incluem “sentir-se desconectado do próprio corpo, mente, sentimentos e ou sensações”.

A pessoa se sente como um observador externo da sua vida. Muitas vezes se sente irreal ou como robôs ou autômatos (sem controle do que fazem ou falam). Podendo sentir-se emocional e fisicamente entorpecidos ou se sentir desconectado, com pouca emoção.

Há um fato inegável: todo dia, quando nos levantamos, vemos o sol saindo, temos conexão com a Internet, alimentos na geladeira e as pessoas que amamos em casa. Como acreditar que há um vírus altamente infeccioso solto pelas ruas matando tantas pessoas?

A palavra pandemia é, para muitos, uma ideia de outra época. E mais, muita gente acredita que um mundo tão avançado como o nosso encontrará uma resposta rápida para o problema. Assumem, de forma ingênua, que tudo será resolvido em uma questão de dias.

A esse raciocínio repleto de ilusão pode-se ainda adicionar o fato que boa parte da população está acostumada a ver o mundo pelo filtro das redes sociais. Dessa forma, tudo está longe, um pouco intocável, não é possível sentir nenhum cheiro, sentir nada, é tudo inócuo como ver um filme no Netflix.

A negação da pandemia custa vidas e nos levará a demorar muito mais para conter a situação. Pensemos nisso e sejamos responsáveis ficando em casa.

Os fatores estressores do próprio estado de quarentena, o qual implica em modificação da rotina e limitação da mobilidade, duração prolongada da quarentena, medo de infecções, frustração, tédio, suprimentos inadequados, informação limitada, perdas financeiras e estigma. Podem ser o gatilho para novos transtornos mentais.

Alguns estudos recentes sugerem que os impactos psicológicos prolongados gerados pela quarentena podem durar até três anos após, e que o histórico de transtorno mental consiste em fator de risco para a maior durabilidade dos impactos psicológicos negativos.

Dra. ÉDIA TORRES A GOMES

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